1. O Povo Espanhol e a Constituição
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O termo “povo espanhol” (pueblo español) é definido na Constituição de 1978 como os cidadãos do Reino da Espanha.
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O preâmbulo menciona povos e nacionalidades da Espanha com suas culturas, tradições, línguas e instituições.
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A Constituição reconhece oficialmente apenas a nação espanhola, apesar da pluralidade de povos.
1.1. Movimentos separatistas
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Diversos nacionalismos pedem independência: basco, galego e catalão.
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Existem 13 regiões separatistas no país.
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Esses movimentos têm raízes históricas, mas se intensificaram:
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Durante o franquismo (1939-1975), com forte repressão.
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A partir da crise econômica de 2009, com mais força política.
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2. Contexto Histórico
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Em 1975, fim da ditadura de Franco trouxe democracia e retorno dos governos catalão e basco.
Fonte: Brasil Escola |
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Franco havia tentado eliminar línguas, culturas e identidades regionais após a Guerra Civil Espanhola (1936-1939).
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O período democrático trouxe esperança de liberdade para minorias nacionais.
3. Questão Basca
3.1. Identidade e localização
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Os bascos habitam a Península Ibérica há mais de 5 mil anos, resistindo a invasões e preservando sua cultura.
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O País Basco está no norte da Espanha, no Golfo da Biscaia, abrangendo áreas da Espanha e da França.
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Cultura considerada uma das mais antigas e fortes da Europa.
3.2. Segunda República e Guerra Civil
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1931: proclamada a Segunda República, com avanços sociais (educação pública, emancipação feminina, direitos trabalhistas).
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1936-1939: Guerra Civil derruba a República, levando à ditadura de Franco.
Ditador Francisco Franco (BBC) |
3.3. ETA (Euskadi Ta Askatasuna – Pátria Basca e Liberdade)
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Criada em 1959, em resposta à repressão franquista.
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Grupo separatista e nacionalista, inicialmente com apoio popular.
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Praticou atentados violentos, incluindo o assassinato do primeiro-ministro Carrero Blanco (1973).
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Ao longo de 52 anos, matou mais de 850 pessoas.
ETA (Fonte: Folha) |
3.4. Autonomia e Declínio da ETA
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1978: Constituição concedeu autonomia ao País Basco (Parlamento próprio, sistema financeiro, reconhecimento cultural).
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Tensão diminuiu, mas o grupo continuou atuando até 2011, quando declarou fim da luta armada após negociações internacionais (com Kofi Annan e Gerry Adams).
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Hoje, há esforços de reconciliação entre o governo e a população basca.
4. Separatismo da Catalunha
4.1. Localização e importância
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Região no nordeste da Espanha, fronteira com a França e banhada pelo Mediterrâneo.
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Barcelona é o centro econômico e cultural da região.
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Representa 16% da população espanhola e cerca de 20% da economia.
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Uma das regiões mais ricas e produtivas do país.
4.2. História do separatismo
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Origem remonta à Idade Média, quando Barcelona tinha Parlamento próprio.
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Durante o franquismo, símbolos culturais como os castells (torres humanas) foram proibidos.
Castell (Fonte: UOL) |
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Após a redemocratização (1975), a Catalunha recuperou autonomia política e cultural.
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Gradativamente, o nacionalismo catalão se fortaleceu.
4.3. Economia e identidade
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Economia equivalente à de Portugal, com forte setor industrial.
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Abriga empresas globais como Naturgy (energia), SEAT (automóveis), Abertis (infraestrutura) e Grifols (saúde).
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Cultura e idioma próprios, com identidade distinta da espanhola.
4.4. Tensões recentes
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2012: grandes manifestações pró-independência.
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2014: autoridades catalãs realizaram uma votação simbólica, mesmo proibida pelo Tribunal Constitucional.
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2017:
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Realizado referendo oficial, marcado por violência policial.
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Mais de 2 milhões de votos, com 90% a favor da independência.
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Parlamento catalão declarou independência unilateral, mas nenhum país reconheceu.
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Governo espanhol considerou ilegal e suspendeu a autonomia da região.
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Esse episódio foi a maior crise política espanhola desde 1975.
Protestos na Catalunha (G1) |
4.5. Risco do efeito dominó
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Se a Catalunha se separasse, poderia inspirar outras regiões com autonomia a buscar independência.
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